quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Fábulas fabulosas – O nascer do Capitalismo (à Maneira dos … Americanos)?

Um homem tinha uma fazenda perto de um rio. Certo dia, o rio começou a subir e ele percebeu que sua fazenda ia ficar submersa.

Transferiu toda sua família e todo seu gado e todos seus utensilios e móveis para o alto da montanha mais próxima. Havia, na sua fazenda, exatamente 284 km de cerca de arame farpado. Era um arame de sete farpas por metro, num total de sete mil farpas por quilômetro e, portanto, toda cerca somava 1.988.000 farpas. O homem arranjou um empregado e, sem comer nem dormir, colocou em cada uma dessas farpas um pedacinho de carne, uma isca qualquer. Quando terminou, ele e o empregado mal tiveram tempo de subir a montanha. Veio o dilúvio.

Durante 93 horas choveu ininterruptamente. Durante 96 horas o rio esteve três metros acima da cerca. Mas logo as águas cederam, e rapidamente o rio voltou ao normal. O homem desceu e examinou a cerca. Encontrou, maravilhado, um peixe pendente de cada farpa, exceto três. Ou seja, um total de 1.981.997 peixes. Havia tainhas, e havia robalos, corvinas, namorados, galos e muitas outras spécies que ele nunca vira(1). Cada peixe pesava, em média 250 g, de modo que o homem tinha um total de 496.999.250 g de peixe fresco, ou seja, 496.999 kg. de peixe. Isso tudo, vendido a 10 cruzeiros o quilo, vocês façam a conta e …

Ah, naturalmente o empregado foi despedido, porque colocou mal as iscas nas três farpas que faltaram.

Moral: O operariado deve ter o máximo cuidado com as iscas do Capitalismo.


3 comentários:

Percival Toledo disse...

Sou Dormelina. Li a fábula e a achei estupenda. Seu blog é maravilhoso.
Quando fiz o curso de letras na UFG participei de uma oficinas com o grupo Gwaya.
Continue.

Percival Toledo disse...

Gostei de seu blog. A fábula é estupenda. Gostei de sua iniciativa. Meu nome é Dormelina

Shirlene Álvares disse...

Que bom! Esse texto é de autoria de Millôr Fernandes.