quarta-feira, 3 de junho de 2009

O gato e a barata

Millôr Fernandes A baratinha velha subiu pelo pé do copo que, ainda com um pouco de vinho, tinha sido largado a um canto da cozinha, desceu pela parte de dentro e começou a lambiscar o vinho. Dada a pequena distância que nas baratas vai da boca ao cérebro, o álcool lhe subiu logo a este. Bêbada, a baratinha caiu dentro do copo. Debateu-se, bebeu mais vinho, ficou mais tonta, debateu-se mais, bebeu mais, tonteou mais e já quase morria quando deparou com o carão do gato doméstico que sorria de sua aflição, do alto do copo. _ Gatinho, meu gatinho - pediu ela - me salva, me salva. Me salva que assim que eu sair daqui eu deixo você me engolir inteirinha, como você gosta. Me salva. _ Você deixa mesmo eu engolir você? - disse o gato. _ Me saaalva! - implorou a baratinha. _ Eu prometo. O gato então virou o copo com uma pata, o líquido escorreu e com ele a baratinha que, assim que se viu no chão, saiu correndo para o buraco mais perto, onde caiu na gargalhada. _ Que é isso? - perguntou o gato. _ Você não vai sair daí e cumprir sua promessa? Você disse que deixaria eu comer você inteira. _ Ah, ah, ah - riu então a barata, sem poder se conter. _ E você é tão imbecil a ponto de acreditar na promessa de uma barata velha e bêbada? Moral: Às vezes a autodepreciação nos livra do pelotão.

Um comentário:

Jaja disse...

Olá.....estou a sua procura....
coisas de professora. Tbm. perdi alguém que amo, meu filho. Mas tbm. queria falar com vc. Sobre um projeto de contação de história. Encontrei vc. no google. Muita coincidência!!! Obrigada.
janirachaves@hotmail.com